SEO na era do ChatGPT: aparecer quando já ninguém clica
O Google e o ChatGPT já respondem sem mandar o cliente ao seu site. O que muda no SEO de uma PME e o que eu faria hoje para continuar a ser encontrado.

Durante anos o jogo foi simples. Aparecer em primeiro no Google, a pessoa clicava, entrava no site e, com sorte, pedia um orçamento. Esse jogo está a acabar, e muita gente ainda nem reparou.
Hoje a pessoa faz a pergunta e recebe a resposta logo ali, escrita e arrumada. Às vezes nem chega a ver a lista de sites.
O clique está a desaparecer
O Pew Research Center analisou a navegação real de 900 adultos nos Estados Unidos e publicou em julho de 2025 que, quando o Google mostra um resumo feito por IA, as pessoas clicam num resultado em 8% das visitas. Sem resumo, clicam em 15%. Nos links que aparecem dentro do próprio resumo, o clique foi de 1%.
Isto já chegou cá. O Google começou a lançar o Modo IA em Portugal, em português de Portugal, a 7 de outubro de 2025. Ao mesmo tempo, o ChatGPT passou os 800 milhões de utilizadores por semana, segundo o próprio Sam Altman. Muita dessa gente já não pesquisa, pergunta.
O seu próximo cliente pode decidir com quem trabalhar sem nunca abrir o seu site.
Ser a resposta
Antes o objetivo era ficar no topo. Agora é ser a empresa que a IA cita quando alguém pergunta "quem faz caixilharia em alumínio aqui perto?" ou "que software existe para controlar a produção numa confeção?".
A IA só cita o que percebe e o que acha fiável. Um site bonito mas vazio, com três frases genéricas e um formulário, não lhe dá nada para dizer.
O que eu faria hoje num site de uma PME
Fórmulas mágicas não há, mas há coisas que vejo fazer diferença:
- Dizer claramente o que faz, para quem e onde. Na maioria dos sites que vejo, isto não está lá.
- Responder às perguntas que os clientes fazem ao telefone. Prazos, como funciona, o que inclui, o que não inclui. Cada resposta boa é uma frase que a IA pode usar.
- Mostrar provas: projetos, casos, fotografias reais, nomes de clientes que autorizem. A IA dá mais peso a quem mostra trabalho feito.
- Manter a informação igual em todo o lado. Morada, telefone e serviços iguais no site, no Google Business Profile e nas redes. Contradições baralham as máquinas.
- Ter a parte técnica em ordem: site rápido, dados estruturados, sitemap e um ficheiro llms.txt a explicar a empresa em linguagem simples para os assistentes de IA.
Quase nada disto é truque, é escrever bem sobre o que se faz. Antes dava para safar-se com palavras-chave espalhadas pela página. Agora quem lê primeiro é uma máquina que percebe o texto e nota quando não há conteúdo.
Menos visitas, mas melhores
O tráfego vai descer para muita gente, e eu acho que isso não é o fim do mundo. Quem chega ao site depois de uma conversa com a IA já vem informado e com intenção. São menos visitas, mas de quem quer mesmo comprar.
O problema é para quem não aparece de todo. Se a IA nunca fala de si, a concorrência fica com a conversa toda.
Já ouvi muitas vezes "vamos esperar para ver como isto fica". Percebo, mas o Modo IA já está no telemóvel dos seus clientes, em português. Quem arrumar o site agora ganha avanço.
Quer saber como o seu site aparece hoje no Google e nos assistentes de IA? Marque uma conversa e vemos isso juntos.


