Robôs humanoides: quando chegam a uma fábrica portuguesa?
Robôs humanoides já trabalham em fábricas e armazéns na China e nos EUA. O que já existe, porque têm forma humana e quando chegam a Portugal.

Robôs humanoides numa fábrica portuguesa. Quando digo isto, a reação mais comum é um sorriso. As pessoas pensam em filmes, ou naqueles vídeos de robôs a dançar que aparecem nas redes sociais. Coisa gira, mas longe.
Eu acho que está mais perto do que parece.
Já não é só demonstração
Em junho de 2024, a GXO, uma das maiores empresas de logística do mundo, assinou um contrato de vários anos com a Agility Robotics para pôr o robô Digit a trabalhar num armazém nos Estados Unidos. Nada de piloto de uma semana: o robô é alugado como serviço e muda caixas de sítio, turno após turno.
Em janeiro deste ano, na CES, a Hyundai apresentou a versão de produção do Atlas, da Boston Dynamics, e disse que vai pô-lo na fábrica da Geórgia a partir de 2028, primeiro em tarefas simples de abastecimento de peças e mais tarde em montagem.
Na China as coisas andam ainda mais depressa. A UBTech anunciou em novembro de 2025 que começou a produzir e entregar em série o Walker S2, com encomendas acima de 800 milhões de yuans e clientes como a BYD, a Geely e a Foxconn. Sobre o resto do que a China já tem, escrevi em o que a China já tem nas fábricas.
Porque é que tem forma de pessoa
Há quem pergunte para que serve um robô com pernas e braços, se um braço robótico fixo faz o trabalho melhor. Em muitos casos faz. Mas as nossas fábricas foram desenhadas para pessoas: escadas, prateleiras à altura do braço, carrinhos, portas, bancadas. Um robô com forma humana entra nesse espaço sem ser preciso refazer a fábrica toda. É essa a aposta de quem os está a fabricar.
O que mudou nos últimos anos foi mais o cérebro do que o corpo. Na apresentação da CES, a Hyundai anunciou uma parceria com a Google DeepMind para treinar estes robôs com dados reais de produção. Já não se programa cada movimento à mão. O robô aprende a tarefa, como um colega novo que vai ganhando prática.
Então, quando chegam cá?
Acho que os primeiros humanoides em Portugal não vão aparecer na linha de montagem. Vão aparecer em armazéns e na logística dentro das fábricas: levar caixas, abastecer postos, arrumar. São trabalhos repetitivos e pesados, onde já hoje é difícil encontrar pessoas. Aposto que vamos ver os primeiros casos antes de 2030, em grupos grandes ligados à indústria automóvel ou à distribuição.
A PME portuguesa vai demorar mais, porque o robô sozinho não faz nada. Precisa de saber que tarefa tem a seguir, onde está o material, que encomenda é urgente. Precisa de dados.
O que isto quer dizer para a sua empresa hoje
Muita gente pensa que se prepara para os robôs comprando um robô. Prepara-se organizando a informação.
Uma fábrica que ainda regista a produção em papel não tem como dar ordens a um robô. Uma fábrica que já sabe, em tempo real, o que está em cada posto e o que falta fazer está pronta para ligar o que vier, seja um braço robótico, um carrinho autónomo ou um humanoide. O trabalho de casa é digitalizar o chão de fábrica, ligar os programas e ter dados em que se possa confiar.
Se quer saber em que ponto está a sua fábrica, falamos sobre isso. Prometo que não lhe tento vender um robô.


